Quem sou eu?
Fico me perguntando isso há alguns anos e nunca tive a real
certeza de quem eu sou, do que eu quero, de que modo quero viver, qual a minha
meta, qual meu desafio, o que eu quero, onde quero chegar, porque não consegui
chegar onde queria, onde eu errei, entre tantas outras perguntas... Acabo
respondendo a mais fácil: Sou o que sou...Um sopro!
Confesso, já culpei várias pessoas apenas pela minha
indecisão de saber quem eu realmente era, pois, coloquei nelas minhas
perspectivas, e onde poderia chegar e porque e não cheguei. Já briguei com pessoas que eu amo pela
desconfiança em seu sentimento por não ser igual ou melhor que o meu, já fiquei
perdido em uma tarde de domingo andando em silêncio apenas para tentar meditar
sobre esta questão. Afinal, quem sou eu?
É mais fácil ficar com o óbvio e responder apenas as
coisas que eu acho ser, digo, apenas minhas qualidades. Às vezes eu sei, às
vezes nem sempre reconheço. Hoje é um dia que não sei quais são minhas
qualidades, mas também não sei nominar meus defeitos. É um turbilhão de
sensações dentro de mim, vários pontos a se colocar na balança são como se eu
vivesse de acordo com a vida dos outros, dos conselhos das pessoas, das dicas e
opinião, como se eu não tivesse a minha própria opinião para mim mesmo, mesmo
sabendo de tudo. Estranho não é?
É como se estivesse brincando de esconde-esconde, e não
conseguindo me encontrar de mim mesmo. Nestes estados, tudo estava imperfeito,
por mais que em todo à minha volta, eu tentava fazer sempre perfeito, e nem
sempre o perfeito era o que as pessoas esperam de você, doido isso né?. Me
pergunto? Como uma pessoa pode se perder de si mesmo? Isso não sei responder, sei que apenas
sou o que sou, não o que querem que eu seja. Isso eu reconheço em muitos
rostos, pessoas tentado formatar alguém nos seus próprios moldes,
desrespeitando a identidade do outro. Nisso, não estou sozinho, vejo
diariamente em tantos rostos.
Em minhas caminhadas ao som de coldplay ou de um
clássico qualquer, tento descobrir as respostas que o mundo me pergunta, e muitas vezes não as
acho. Todavia, descobri que ser sincero para mim mesmo é a melhor forma de
sinceridade que eu poderia ter e de amar minha personalidade. Descobri que, não adianta a beleza que uma
flor tem se ela não consegue amadurecer a raiz. Descobri que, não adianta a
liberdade de um pássaro se ele está preso na gaiola sem poder voar. Descobri
que, não se brinca com sentimentos, principalmente, com o nosso.
Nessas minhas caminhadas com os pês descalço nas
macias areis da praia, sentido a maresia tocar meu rosto, como se fosse um
carinho do Criador, descobri tantas coisas. Às vezes o silencio e a solidão te
mostra coisas jamais vista. Em minha
cabeça vinha tantas imagens, tantos sorrisos, tantas lagrimas, tantos pedidos
de socorro de varias formas, que me senti tão pequeno, impotente, incapaz... Foi aí que percebi que a vida é como as
estações, ela sempre precisa seguir seu curso. Um dia ela vai florescer, no
outro, as pétalas vão cair. No outro, o dia vai amanhecer cinzento, e tudo
parece meio que triste e sem vida. No outro, o sol vai brilhar com tanta
intensidade que vai te ofuscar teus olhos. Já no outro, o dia ficará frio...e
com o frio, vem aquele desejo de ser aquecido, acolhido, amado... e a vida
segue seu curso... Porém, para todos esses dias, lá em cima, além das nuvens,
no firmamento, existe um brilho maior que qualquer coisa jamais vista por
nossos olhos; que apesar de tudo, chega até nós...e nos atinge em cheio...Acredite!
é assim mesmo.
Fazer minha vida rimar com tantos versos soltos, aprender
com tantas experiências é uma dádiva. Sofrer com as dores alheias, sorrir,
abraçar, amar... Olhar para o outro como se fosse a primeira vez, sem se preocupar
com seus defeitos ou qualidades, é humano, ou quase um ato divino. Nas minhas
andanças ao som das minhas músicas preferidas, aprendi a olhar o mundo de forma
tão diferente e tão particular que reaprendi a despertar para a vida... Olhar
para pessoas, a ponto de elas perceberem que são vistas, e isso, é tão
importante quando não se sentir ignorado. Vejo historias. Enxergo vidas, muitas vezes consigo contemplo
uma primavera, um outono, um inverno, e muitas vezes, o verão...
Enfim, e a vida segue seu curso... e a pergunta continua a
martelar na cabeça: Quem mesmo sou eu?
Gabriel Sena




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